Falando sobre missões e pensando um pouco no assunto:
Tenho tido o privilégio de divulgar o Projeto Brasil-Mbour em algumas igrejas no Sudeste e Sul do Brasil e algumas impressões se deixam ser percebidas. A primeira é que a APMT – Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, uma autarquia da IPB, não é conhecida pelos presbiterianos mesmo na região em que ela é sediada. A segunda é que o tema “Missões” não é um consenso entre os crentes que, na maioria das vezes, destorcem a visão bíblica em parceria com alguns se dizem “missiólogos”.
Encontramos gente que pensa que Missões é uma atividade para aqueles que não tiveram sucesso e são medíocres na atividade pastoral da igreja local. Obviamente encontramos missionários com essas características, mas não é a regra. Ou melhor, não deveria nem ser a exceção, pois a igreja teria que enviar somente os melhores (At 13.1-5). Encontramos gente que pensa que obra missionária é uma tarefa só para os missionários que vivem em terras distantes da nossa. Obviamente isso inclui, mas negligenciar a responsabilidade missionária local é um abuso (Mt 28.18-20; At 1.8; 1Pe 2.9). Tem gente que pensa que fazer missões é uma escolha entre ir, orar ou contribuir. Espera aí? Quem disse isso? Essa idéia é anti-bíblica e destruir esse paradigma é fácil. Pense comigo: Nós, eu e minha família, estamos indo para o Senegal em resposta a uma necessidade da Igreja do Senhor Jesus, certo?! Logo, pelo pensamento acima, então, eu não preciso mais orar e muito menos contribuir. Viu a incoerência?! A obra missionária inclui ir, orar e contribuir. Uma parte não exclui a outra.
Quando olhamos para Mateus 28.18-20, no texto da grande comissão, alguns princípios veem à tona:
1 – Que a obra missionária é realizada na autoridade de Jesus Cristo. “toda a autoridade me foi dada...”.
2 – Que o objetivo da obra missionária é “fazer discípulos de todas as nações”. Fomos chamados para isso. Deus nos limpou para isso, ou seja, dar muitos frutos (Jo 15). Nossa existência como crentes é para cumprir a missão. Quando olhamos para 1Pe 2.9 vemos que a tarefa missionária não é apenas de um grupo, denominado missionários, ou evangelistas, ou pastores, mas sim, de todo aquele que pertence a nação santa, ao povo de propriedade exclusiva de Deus; estes foram chamados para proclamar as virtudes daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz. É uma tarefa de todos os crentes.
3 – Que a estratégia da obra missionária é: IR – ninguém faz discípulos sem ir à algum lugar. Você precisa ir até o quarto do seu filho ou irmão descrente; ir até a casa do seu vizinho; ir até o seu colega de trabalho ou ir até a um lugar distante. Não importa onde, você tem que ir. BATIZAR – além do ir como estratégia, vemos que Jesus inclui o Batizar como parte do plano para fazer discípulos. Devemos trazer as pessoas para a Igreja, onde serão batizadas e entrarão em aliança com Deus. No início do cristianismo as pessoas que ouviram do evangelho, pelo ir de alguém, foram batizadas ingressando ao corpo de Cristo ou seja a igreja. Não basta falar de Jesus, você tem que conduzir as pessoas ao batismo. Costumo dizer que eu posso evangelizar sem fazer missões, mas nunca cumprirei a missão de fazer discípulo sem evangelizar. O Evangelizar (falar de Jesus) é o primeiro passo para que a pessoa se torne discípula, mas se eu parar por aí, não completarei a missão e não farei discípulo. Por isso, Cristo amplia a estratégia e acrescenta: ENSINAR – discipulado é a palavra que usamos para a ação de ensinar a guardar todas as coisas que Jesus nos ordenou. Fazer missões se completa quando depois de IR à alguém em algum lugar, evangelizamos fazendo-o entrar em aliança com Deus pelo BATISMO e ENSINAMOS a guardar todas as coisas, de tal forma, que estejam prontos a irem e começarem o processo de fazer discípulos com outra pessoa. Isso é missões e é dever de todo discípulo de Cristo.
4 – Que o alvo da obra missionária é o Mundo. Fazei discípulos de todas as nações. Desde cedo ficou claro para a Igreja primitiva este alvo. Os ensinos de Jesus, após a sua ressurreição, enfatizavam isso. As promessas do derramar do Espírito Santo indicavam este alvo (At 1.8) de Jerusalém até aos confins do mundo. E a experiência da igreja primitiva ensina sobre essa vontade de Deus quando registrou-se sobre as perseguições e vivência nas viagens missionárias dos apóstolos. Quando a igreja fecha em si mesma, não cumpre a missão e não atinge o alvo estabelecido pelo próprio Deus.
5 – Que a duração da obra evangelística é até a consumação do século. Enquanto você estiver vivo ou até a volta do Senhor Jesus será o tempo para a atividade missionária no mundo; independente das lutas, dificuldade e perseguições, pois Jesus estará conosco e ele tem toda a autoridade nos céus e na terra. Não existe país proibido para o evangelho. Existem países com maior dificuldade, que vai exigir da igreja um planejamento adequado; a simplicidade das pombas associado com a prudência das serpentes.
Outros textos, principalmente os paulinos, expressam de modo claro outros princípios para a obra missionária. Em Filipenses, por exemplo, o apóstolo Paulo faz um relato sobre a cooperação no evangelho pelos filipenses. Isso incluía: testemunhar de Jesus para outras pessoas; dar bom testemunho de vida cristã e investir financeiramente na obra do Senhor. Para os filipenses contrários a tais práticas, Paulo diz que se entristece e os chama de inimigos da cruz de Cristo, pois eles só pensavam nas coisas terrenas. (Fp 3.17-20). Logo, para sermos cooperadores da Cruz de Cristo ou do Evangelho temos que seguir o ensino de Paulo: testemunhar de Jesus, pois nosso viver é Cristo; dar bom testemunho, seguindo o exemplo do próprio Senhor Jesus que não julgou com usurpação ser igual a Deus e investir financeiramente no Reino, pensando nas coisas do céu e associando-nos aos que estão no campo, como a igreja de Filipos fez com Paulo mais de uma vez.
São princípios e ensinamentos simples e extremamente coerentes, mas que tem sido negligenciado pela igreja contemporânea. E aí então talvez esteja a resposta porque a APMT não é tão conhecida. Talvez aí esteja a resposta porque a igreja não investe o que recebe do Senhor na obra missionária e prefere investir na ostentação das coisas terrenas. Talvez por isso as quase duas mil igrejas que receberam uma cópia do Projeto Brasil-Mbour, com um apelo de apoio financeiro no valor de R$50,00 por mês, nem sequer tiveram o respeito de responderem a carta. Talvez, por isso, eu e minha família nos sintamos, em alguns momentos, constrangidos em divulgar um projeto embasado nos ensinos de Cristo que prevê mudar uma realidade hostil, num país pobre, anticristão e carente de recursos, nas igrejas ricas e com membros abastados, que nos olham como se fôssemos loucos ou espertalhões. (Desculpem-nos por relembrar princípios e ensinos tão simples e diretos da Palavra de Deus). Talvez aí esteja a resposta para o investimento em projetos úteis, porém, não primordiais em detrimento do investimento missionário. Talvez aí esteja a resposta porque encontramos, inclusive dentro dos chamados líderes missionários, pessoas que pensam que missionário tem de sofrer e padecer no campo, sem o direito de conforto básico ou de previsão de um futuro para os filhos. Talvez por isso as pessoas confundam títulos e façam distinção para “reverendos” e missionários, como se estes fossem de segunda classe. Talvez por isso alguns jovens procurem os seminários com uma perspectiva puramente profissional ao invés de desejar servir o reino aonde quer que seja. Talvez aí esteja a resposta porque precisamos ensinar mais sobre missões e principalmente fazer discípulos com visão missionária para que a Igreja Presbiteriana do Brasil cumpra com a missão da qual ela faz parte.
Logo, precisamos continuar falando sobre missões e pensar um pouco sobre como estamos respondendo ao imperativo de fazer discípulos. Que o Senhor tenha misericórdia e nos ajude.
Rev. Everton Matheus
Missionário da APMT
Projeto Brasil-Mbour /Senegal - África
Março/2011
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Aspectos gerais do CHAMADO MISSIONÁRIO no chamado de Jeremias
Texto Jeremias 1.1-10
Parte 1
Quanto ao preâmbulo do chamado.
Geralmente quando pensamos na vocação ou chamado missionário de Deus, pensamos que é necessário um grande estrondo. Pensamos que Deus irá aparecer no céu com um grande despertador tocando e nos dizendo está na hora, vamos trabalhar por mim. Aguardamos experiências mirabolantes para termos certeza de que fomos chamados ou não. Porém, dentro da perspectiva de Deus, o chamado missionário, como o chamado regenerador, vem por meio da sua própria Palavra. Foi assim com os profetas, discípulos, apóstolos e com todos que ele chamou.
A – vem por meio da Palavra do SENHOR v.1-3
No período teofânico ele mesmo chamou por meio da sua palavra, audível e específica, à Noé, Abraão, Jacó, Moisés...; no período profético ele chamou por meio da sua palavra, recebida por sonho ou visões, a todos que foram usados por Ele, inclusive Jeremias (Jr 1.2,4); nos dias de Jesus o próprio Deus encarnado, o próprio Verbo (logos) chamou por meio de sua palavra, audível e irresistível, a todos os seus discípulos; e hoje, após o período revelacional Ele chama por meio da sua Palavra escrita a todos os que ele já regenerou, também por meio de pregação da sua Palavra (1Pe2.9). Na verdade, todos nós já fomos chamados para a obra missionária, pois, o chamado de Deus, também nessa premissa, é a aplicação da sua eleição.
B – é a aplicação da eleição divina v. 4-5a.
Isso fica claro no chamado de Jeremias quando Deus diz: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei,” . Deus não nos chama porque se afeiçoa com nossa personalidade e nossos atos, ou nosso perfil de liderança ou coisa do tipo como se dissesse: “Este rapaz ou esta moça é perfeita para a obra que quero realizar no Sudão...” Não! Ele em sua soberania e eternidade já havia determinado a minha e a vossa vocação.
C - visa um fim determinado (profeta às nações ) v. 5b
Mais uma vez, a vocação de Jeremias exemplifica, veja o final do verso 5: “e te constituí profetas às nações”. Antes de tudo, Deus já havia traçado e determinado a vocação de Jeremias e isso acontece com cada um de nós. Porém, apesar da determinação divina, eu em minha “livre agência”, sou responsável pela minha postura diante do chamado explícito da Palavra de Deus. Chamado para servir, para proclamar as virtudes daquele que me tirou das trevas e me trouxe para a luz. Logo, sou responsável pela minha resposta ao chamado de Deus.
Parte 2
Quanto a reação humana.
E é comum uma reação de repúdio ao chamado de Deus. Na nossa “incapacidade” procuramos de modo lógico tornar Deus “incapaz” demonstrando que seu chamado, baseado na eleição, soberano e realizado na eternidade não foi uma boa escolha. Nos contrapomos ao chamado de Deus.
A – Contraposição v. 6a
Na maior da ingenuidade dizemos: “ah! SENHOR Deus!”, como se tivéssemos alguma coisa mais importante que nos impedisse de realizar o chamado. É do tipo quando alguém nos convida para uma atividade e fazemos cara de “puxa vida!” e apresentamos nossa justificativa e explicação, as vezes até mesmo culpando aquele que está convidando: “se você tivesse falado antes, ou, agora não tem jeito, talvez em outra oportunidade, mas não fique chateado, um dia vai dar certo, você vai ver”. Moisés, Isaías, Jeremias são exemplo disso.
B – Justificativa v. 6b
Nossa convicção de que estamos nos desculpando bem é tão grande que apresentamos logicamente o que nos justifica em não aceitar ou contrapor. Jeremias disse: “Eis que não sei falar,”, e nessa linha de raciocínio inventamos várias justificativas e apresentamos para Deus, na certeza que Ele vai entender que falhou ou que não fez uma boa escolha. E antes, que o próprio Deus nos interrompa o raciocínio, imediatamente explicamos o motivo justificado.
C – Explicação v. 6c
“porque não passo de uma criança”. Ufah! Espero que com minha cara de “puxa vida!”, minha justificativa real corroborada pela explicação lógica, Deus entenda e me deixe fora dessa. Na nossa cabeça todas as nossas justificativas e explicações são válidas e algo realmente importante, ao ponto de Deus nos liberar da missão. No próprio ministério terreno de Jesus, vimos a utilização dessa técnica persuasiva por parte do homem e em resposta Cristo afirma: “Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.”, e as exigências continuam como certamente você conhece (Lc 14.25-33; 9.23-27). Deus não aceita nossa postura de contraposição, nossa justificativa mesmo com as melhores das explicações, porque Ele nos conhece a todos.
Parte 3
Quanto a posição de Deus (atributos).
Ele, mesmo em sua bondade, nos confronta e diz: “Não digas” como se olhasse bem em nossos olhos e nos desmascarasse. E a base desse desmascarar de Deus está em seus atributos incomunicáveis.
A – Onisciência v. 7a (sabe tudo e nos conhece)
“Não digas...” pois Eu sei de tudo e conheço a todos, Sou onisciente! Sei dos seus sonhos, suas limitações, seus temores, suas dificuldades e vou supri-los à medida da sua obediência.
B – Onipotência v. 7b (soberano e comanda nossa vida)
Pois, sobre mim está todo o poder e Eu comando tudo e todos para realizar da minha vontade decretiva e soberana. Por isso, “Não digas...”, obedeça!
C – Onipresença v. 8 (esta diante de todos e anda conosco)
Obedeça sabendo de que Eu estou diante de todos e ando contigo para te livrar. Confie!
Parte 4
Quanto a ação de Deus (providência).
Deste modo, após sermos desmascarados, devemos obedecer e confiar em Deus, pois, Ele não nos deixará e nos conduzirá como prometeu à Jeremias, aos discípulos e conseqüentemente a nós.
A – capacitação v. 9 (dando dons)
Sua companhia e sua proteção serão demonstrados em sua atuação sobre nós, em primeiro lugar nos capacitando para a obra que nos chamou, ou seja, nos dando dons para execução do ministério. Isso fica claro quando o verso 9 de Jeremias cap. 1 declara: “Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras.”.
B – Ordenação 10a (dando autoridade/poder)
Em segundo lugar vemos a ação de Deus sobre nós, dando-nos autoridade e poder, através da nossa ordenação: “Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos,”. Estas palavras demonstram que diante da ordem dada o Senhor outorgou autoridade para realizar a missão e poder para realizá-la com vigor, sem temor dos homens e do mal.
C – enviando 10b (dando instruções)
E em terceiro lugar, Deus age delimitando milimetricamente as instruções. Ele não nos chama, não nos capacita, nem nos dá autoridade para realizarmos algo que não sabemos ou a mercê da nossa criatividade decaída, Ele nos dá suas instruções: “...para destruíres e arruinares e também edificares e para plantares.”. Deus nós chama para glorificá-lo e nos assegura que o ministério é bastante variado.
Conclusão:
Fazemos parte de uma geração privilegiada, pois enquanto que em determinados momentos da história, Deus tinha pessoas específicas para realização da sua missão, em nossos tempos, todos somos sacerdotes, servindo ao Deus Santo, pelo novo caminho aberto pelo nosso Sumo sacerdote, Cristo Jesus. Hoje pesa sobre todos os crentes o chamado para sermos missionários, constituídos sobre as nações e sobre os reinos. Não existe justificativa ou explicação convincente, pois, Deus nos promete sua companhia constante, seu atuar protetor e libertador. Deus não nos chama para um missão inconseqüente, Ele tem tudo planejado e estará sempre ao nosso lado, para inclusive, nos auxiliar no cumprimento da missão determinada. Estejamos prontos para obedecer o que nos cabe na execução da missão. Sejamos missionários até o fim! Soli Deo Gloria.
Rev. Everton Matheus. Outubro/2009.
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Planejamento em Missões – ato responsável ou falta de fé?
“No céu há alegria quando um pecador se arrepende. Mas tenho certeza de que também há alegria com a alocação correta dos recursos para a missão, as metas, os resultados”. Peter F. Drucker[i]
Existe uma crença destoada dentro da praxe cristã de nossos dias. Refiro-me ao repúdio do “planejamento para questões futuras”.
Firmado numa pretensão espiritual, o crente se isenta muitas vezes da responsabilidade, da organização, do racional, como forma de indicar sua dependência do Espírito Santo e de que não se preocupa, nem vive ansioso. Interpretam que o ensino registrado em Mateus 6.25-34, proíbe o discípulo de planejar o futuro e de até mesmo pensar sobre ele. Isto não confere com a essência de Deus e principalmente com seus ensinos direcionados aos crentes.
No texto de Mateus a ênfase não deve recair sobre a proibição de pensar no futuro, ou de se planejar a respeito do mesmo, mas sim, sobre o “andar ansioso” em relação a ele. A ansiedade, a preocupação excessiva são proibidas, não o planejamento.
Noé planejou, em obediência, a construção da arca; José do Egito planejou os procedimentos para poupar nos anos de fartura; Salomão, planejou e ensinou planejar de acordo com a sabedoria que recebeu do Senhor; e, o próprio Cristo nos disse para assentar, calcular, verificar, e planejar nossas ações como requisito para sermos seus discípulos (Lc 14.28-32). Planejar não é proibido; proibido é não acreditar que Deus age sobre nosso planejamento e não confiar que o mesmo Deus agirá em nós, por nós e através de nós na realização do planejado.
Quando focamos Missões não podemos perder esse princípio. Devemos estar atentos aos ensinos bíblicos. No livro de Atos dos Apóstolos encontramos a Igreja Primitiva, debaixo da atuação do Espírito Santo, planejando seus atos missionários, definindo metas e estratégias e reformulando quando necessário, tudo sob a ação de Deus (At13.1-3; 14.25-27; 15.6,22,27-29), o mesmo vemos explicitamente em Paulo, o apóstolo dos gentios (Rm 15.22-28).
Sabemos que a obra missionária é urgente e que necessita de trabalhadores a serem enviados à todas as partes de nossa nação e do mundo, mas, não podemos fazer tal obra sem planejamento, sem primeiro assentar, calcular, verificar. Isso não é falta de fé e sim um ato responsável, de obediência, de nossa parte. Nosso planejamento não impedirá a ação soberana de Deus através de seu Santo Espírito, e nós estaremos dispostos a reavaliar e reestruturar o planejamento quando o Senhor em sua direção providencial nos mostrar que assim devemos fazer. O que não pode acontecer é confundirmos paixão pelas almas com um obra missionária baseada na paixão e não na razão.
Os recursos humanos e financeiros são poucos e precisamos utilizá-los bem. Não há tempo para enviarmos alguém para o campo, simplesmente porque este alguém teve um sonho ou, não consegue campo em igrejas, ou porque “rodou” o globo terrestre e pôs o dedo em algum lugar e pronto. Não podemos negligenciar a cultura para onde pretendemos enviar alguém. Não podemos enviar missionários simplesmente para um país que não temos um trabalho, pelo simples fato de não termos um trabalho. Missões sem planejamento, não é Missão de Deus. É viagem turística, fuga pessoal, busca de um reconhecimento como mártir, mas não é missão de Deus.
O próprio plano de salvação foi milimetricamente planejado por Deus. Qual o porquê então, de não planejarmos milimetricamente nossa ação missionária? Por que como “boca de Deus”, para dizer sim ou não àqueles que nos procuram como agência para serem enviados, não focamos primeiramente nosso planejamento missionário, que foi dirigido por Deus? Por que não apresentamos a necessidade do planejamento ao invés de corrermos atrás de um projeto novo sem estudos? Tanto as agências missionárias, como a igreja e seus membros precisam parar de jogar em cima de Deus uma responsabilidade que já pesa sobre nós. A obra missionária não permite mais prejuízos com projetos do tipo “se for de Deus prosperará”, este princípio é de Gamaliel e não do cristianismo. Hoje é tempo, sob direção do Espírito Santo, de projetos planejados e calculados após pesquisa do campo.
Logo, precisamos quebrar o paradigma do chamado missionário baseado no subjetivismo. O chamado de Deus é objetivo e claro para todo cristão autêntico e Ele nos chama para servir, sob a liderança de uma igreja organizada ou agência instituída que fala em nome Dele. Se o seu sonho veio de Deus, Ele usará Sua igreja ou agência para confirma-lo, de acordo com o planejamento missionário proposto e dirigido por Ele mesmo. Creia nisso e esteja disposta a obedecer.
Rev. Everton Matheus Ministro Presbiteriano Membro da APMT-IPB.
[i] Peter F Drucker era administrador e considerado pai do marketing moderno, faleceu em 2005. cf. Peter F. DRUCKER; Administração de Organizações sem fins lucrativos – princípios e práticas, São Paulo: Thomson, 1992, pg. 102.
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